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O Grande Conflito


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 Introdução

CAPÍTULO
CAPÍTULO




 
Introdução


     Antes que o pecado entrasse no mundo, Adão gozava plena comunhão com seu Criador. Desde, porém, que o homem se separou de Deus pela transgressão, a raça humana ficou privada desse alto privilégio. Pelo plano da redenção, entretanto, abriu-se um caminho mediante o qual os habitantes da Terra podem ainda ter ligação com o Céu. Deus Se tem comunicado com os homens mediante o Seu Espírito; e a luz divina tem sido comunicada ao mundo pelas revelações feitas a Seus servos escolhidos. "Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." 2 S. Pedro 1:21.
     A Escritura Sagrada aponta a Deus como seu autor; no entanto, foi escrita por mãos humanas, a no variado estilo de seus diferentes livros apresenta os característicos dos diversos escritores. As verdades reveladas são dadas por inspiração de Deus (2 Timóteo 3:16); acham-se, contudo, expressas em palavras de homens. O Ser infinito, por meio de Seu Santo Espírito, derramou luz no entendimento a coração de Seus servos. Deu sonhos a visões, símbolos a figuras; a aqueles a quem a verdade foi assim revelada, concretizaram os pensamentos em linguagem humana.
     Os Dez Mandamentos foram pronunciados pelo próprio Deus, a por Sua própria mão foram escritos. Sãó de redação divina a não humana. Mas a Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus a Filho do homem. Assim, é verdade com relação à Escritura, como o foi em relação a Cristo, que "o Verbo Se fez carne a habitou entre nós." S. João 1:14.
     Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada a infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. "Toda Escritura é inspirada poi -Deus a útil para o ensino, para a repreensão, para a correção. para a educação na justiça, a fim de que o homem de Dew seja perfeito a perfeitamente habilitado para toda boa obra." 2 Timóteo 3:16 a 17.
     Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua presença a direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para iluminar a aplicar os seus ensinos. E visto ter sido o Espírito de Deus que inspirou a Escritura Sagrada, é impossível que o ensino do Espírito seja contrário ao da Palavra.
     O Espírito não foi dado - nem nunca o poderia ser - a fim de sobrepor-Se à Escritura; pois esta explicitamente declara ser ela mesma a norma pela qual todo ensino a experiência devem ser aferidos. Diz o apóstolo S. João: "Não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." 1 S. João 4:1. E Isaías declara: "A Lei a ao Testemunho! se eles não talarem segundo esta palavra, não haverá manhã para eles." Isaías 8:20.
     Em harmonia com a Palavra de Deus, deveria Seu Espírito continuar Sua obra durante todo o período da dispensação evangélica. Durante os séculos em que as Escrituras do Velho Testamento bem como as do Novo estavam sendo dadas, o Espírito Santo não cessou de comunicar luz a mentes individuais, independentemente das revelações a serem incorporadas no cânnon sagrado. A Biblia mesma relata como mediante o Espírito Santo, os homens receberam advertências, reprovações, conselhos a instruções, em assuntos de nenhum modo relativos à outorga das Escrituras. E faz-se menção de profetas de épocas várias, de cujos discursos nada há registrado. Semelhantemente, após a conclusão do cânon das Escrituras, o Espírito Santo deveria ainda continuar a Sua obra, esclarecendo, advertindo e confortando os filhos de Deus.
     Jesus Cristo prometeu a Seus discípulos: "Quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; . . . e vos anunciará o que há de vir." S. João 16:13. As Escrituras claramente ensinam que estas promessas, longe de se limitarem aos dias apostólicos, se estendem à igreja de Cristo em todos os séculos. O Salvador afirma a Seus seguidores: "Estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." S. Mateus 28:20. E S. Paulo declara que os dons a manifestações do Espírito foram postos na igreja para "o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, a ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo." Efésios 4:12 a 13.
     Depois da maravilhosa manifestação do Espírito Santo no dia de Pentecostes, S. Pedro exortou o povo a arrepender-se e batizar-se em nome de Cristo, para a remissão de seus pecados; a disse ele: "E recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar." Atos 2:38 a 39.
     Em imediata relação com as cenas do grande dia de Deus, o Senhor, pelo profeta Joel, prometeu uma manifestação especial de Seu Espírito. (Joel 2:28.) Esta profecia recebeu cumprimento parcial no derramamento do Espírito, no dia de Pentecostes. Mas atingirá seu pleno cumprimento na manifestação da graça divina que acompanhará a obra final do Evangelho.
     Mediante a iluminação do Espírito Santo, as cenas do prolongado conflito entre o bem e o mal foram patenteadas à autora destas páginas. De quando em quando me foi permitido contemplar a operação, nas diversas épocas, do grande conflito entre Cristo, o Príncipe da vida, o Autor de nossa salvação, e Satanás, o príncipe do mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da santa lei de Deus. A inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os Seus seguidores. O mesmo ódio aos princípios da lei de Deus, o mesmo expediente de engano, em virtude do qual se faz o erro parecer verdade, pelo qual a lei divina é substituída pelas leis humanas, a os homens são levados a adorar a criatura em lugar do Criador, podem ser divisados em toda a história do passado. Os esforços de Satanás para representar de maneira falsa o caráter de Deus, para fazer com que os homens nutram um conceito errôneo do Criador, e assim O considerem com temor a ódio em vez de amor; seu empenho para pôr de parte a lei divina, levando o povo a julgar-se livre de suas reivindicações a sua perseguição aos que ousam resistir a seus enganos, têm sido prosseguidos com persistência em todos os séculos. Podem ser observados na história dos patriarcas, profetas a apóstolos, mártires a reformadores.
     No grande conflito final, como em todas as eras anteriores, Satanás empregará os mesmos expedientes, manifestará o mesmo espírito, a trabalhará para o mesmo fim. Aquilo que foi, será, com a exceção de que a luta vindoura se assinalará por uma intensidade terrível, tal como o mundo jamais testemunhou. Os enganos de Satanás serão mais sutis, seus assaltos mais decididos. Se possível fora, transviaria os escolhidos. (S. Marcos 13:22.)
     A medida que o Espírito de Deus me is revelando à mente as grandes verdades de Sua Palavra, a as cenas do passado e do futuro, era-me ordenado tornar conhecido a outros o que assim fora revelado delineando a história do conflito nas eras passadas, a especialmente apresentando-a de tal maneira a lançar luz sobre a luta do futuro, em rápida aproximação. Na prossecução deste propósito, esforcei-me por selecionar a agrupar fatos da história da igreja de tal maneira a esboçar o desdobramento das grandes verdades probantes que em diferentes períodos foram dadas ao mundo, as quaffs excitaram a ira de Satanás e a inimizade de uma igreja que ama o mundo, verdades que têm sido mantidas pelo testemunho dos que "não amaram suas vidas até à morte."
     Nestes relatos podemos ver uma prefiguração do conflito perante nós. Olhando-os à luz da Palavra de Deus, a pela iluminação de Seu Espírito, podemos ver a descoberto os ardis do maligno a os perigos que deverão evitar os que serão achados "irrepreensíveis" diante do Senhor em Sua vinda.
     Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso da Reforma nas épocas passadas, constituem assunto da História, bastante conhecidos a universalmente reconhecidos pelo mundo protestante; são fatos que ninguém pode negar. Esta história apresentei-a de maneira breve, de acordo com o escopo deste livro a com a brevidade que necessariamente deveria ser observada, havendo os fatos sido condensados no menor espaço compatível com sua devida compreensão. Fm alguns casos em que algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar, em breve, urea visão compreensiva do assunto, ou resumiu convenientemente os pormenores, suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos, porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração provê uma apresentação do assunto, pronta a positiva. Narrando a experiência a perspectivas dos que levam avante a obra da Reforma em nosso próprio tempo, fez-se use semelhante de suas obras publicadas.
     O objetivo deste livro não consiste tanto em apresentar novas verdades concernentes às lutas dos tempos anteriores, como em aduzir fatos a princípios que têm sua relação com os acontecimentos vindouros. Contudo, encarados como uma parte do conflito entre as forças da luz a das trevas, vê-se que todos esses relatos do passado têm nova significação; a por meio deles projeta-se uma luz no futuro, iluminando a senda daqueles que, semelhantes aos reformadores dos séculos passados, serão chamados, mesmo com perigo de todos os bens terrestres, para testificar "da Palavra de Deus, a do testemunho de ,Jesus Cristo."
     Desdobrar as cenas do grande conflito entre a verdade e o erro; revelar os ardis de Satanás a os meios por que the podemos opor eficaz resistência; apresentar uma solução satisfatória do grande problema do mal, derramando luz sobre a origem e a disposição final do pecado, de tal maneira a manifestar-se plenamente a justiça a benevolência de Deus em todo o Seu trato com Suas criaturas; e mostrar a natureza santa, imutável de Sua lei - eis o objetivo deste livro. Que mediante sua influência almas se possam libertar do poder das trevas, a tornar-se participantes "da herança dos santos na luz," para louvor dAquele que nos amou a Se deu a Si mesmo por nós, é a fervorosa oração da autora. E.G. W.


 
CAPÍTULO 1

Predito o Destino do Mundo


     “Ah! se to conhecesses também, ao menos neste tea die, o que à tua pay pertence! mas agora into está encoberto aos teas olhos. Porque dies virão sobre ti, em que os teas inimigos to cercarão de trincheiras, a to sitiarão, a to estreitarão de todas as bandas; a to derribarão, a ti a aos teas filhos que dentro de ti estiverem; a não deixarão em ti padre sobre padre, pois qua não conheceste o tempo da tua visitação." S. Lucas 19:42-44.
     Do cimo do monte das Oliveiras Jesus olhava sobre Jerusalém. Lindo a calmo era o cenário qua diante dEle se desdobrava. Era o tempo da Páscoa, a de todas as terms os filhos de Jacó se haviam ali reunido pare celebrar a grande festa nacional. Em meio de hortos a vinhedos, a declives verdejantes juncados das tendas dos peregrinos, erguiam-se as colinas terraplenadas, os majestosos palácios a os maciços baluartes da capital de Israel. A filha de Sião parecia diner em sea orgulho: "Estou assentada como rainha, a não . . . verei o pranto," sendo ela tão formosa então a julgando-se tão segura do favor do Céu como quando, séculos antes, o trovador real cantara: "Formoso de sítio, a alegria de toda a Terra é o monte de Sião . . . a cidade do grande Rei." Salmo 48:2. Bem à vista estavam os magnificentes edifícios do templo. Os rains do Sol poente iluminavam a brancura de nave de sues parades de mármore a punham reflexos no portal de ouro, na torre a pináculo. Qual "perfeição da formosura," levantava-se ale como O orgulho da naçâo judaica. Que filho de Israel poderia contemplar aquele cenário sem um estremecimento de alegria a admiração? Entretanto, pensamentos muito diversos ocupavam a mente de Jesus. "Quando is chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela." S. Lucas 19:41. Por entre o universal regozijo de Sua entrada triunfal, enquanto se agitavam ramos de palmeiras, enquanto alegres hosanas despertavam ecos nas colinas, a milhares de oozes O aclamavam Rei, o Redentor do mundo achava-Se oprimido por súbita a misteriosa tristeza. Ele, o Filho de Deus, o Prometido de Israel, cujo poder vencera a morte a do túmulo chamara a seus cativos, estava em pranto, não em conseqüência de uma mágoa comum, senão de agonia intensa, irreprimível.
     Suas lágrimas não eram por Si mesmo, posto que bem soubesse para onde Seus passos O levariam. Diante dEle jazia o Getsêmani, cenário de Sua próxima agonia. Estava também à vista a Aorta das ovelhas, através da qual durante séculos tinham sido conduzidas as vítimas para o sacrifício, a que se Lhe deveria abrir quando fosse "como um cordeiro" "levado ao matadouro." Isaías 53:'7. Não muito distante estava o Calvário, o local da crucifixão. Sobre o caminho que Cristo logo deveria trilhar, cairia o terror de grandes trevas ao fazer Ele de Sua alma uma oferta pelo pecado. Todavia, não era a contemplação destas cenas que lançava sobre Ele aquela sombra, em tal hors de alegria. Nenhum presságio de Sua própria angústia sobre-humana nublava aquele espírito abnegado. Chorava pela sorte dos milhares de Jerusalém - por causa da cegueira a impenitência daqueles que Ele viera abençoar a salvar.
     A história de mais de mil anos do favor especial de Deus e de Seu cuidado protetor manifestos ao povo escolhido, estava patente aos olhos de Jesus. Ali estava o monte Moriá, onde o filho da promessa, como vítima submissa, havia sido ligado ao altar - emblema da oferenda do Filho de Deus. (Gênesis 22: 9.) Ali, o concerto de bênçãos e a gloriosa promessa messiânica tinham sido confirmados ao pai dos crentes (Gênesis 22:16-18). Ali as chamas do sacrifício, ascendendo dá eira de Ornã para o céu, haviam desviado a espada do anjo destruidor (1 Crônicas 21) - símbolo apropriado do sacrifício a mediação do Salvador em prol do homem culpado. Jerusalém fora honrada por Deus acima de toda a Terra. Sião fora eleita pelo Senhor, que a desejara "para Sua habitação" (Salmo 132:13). Ali, durante séculos. santos profetas haviam proferido mensagens de advertência. Sacerdotes ali haviam agitado os turíbulos, e a nuvem de incenso, com as orações dos adoradores, subira perante Deus. Ali, diariamente, se oferecera o sangue dos cordeiros mortos, apontando para o vindouro Cordeiro de Deus. Ali, Jeová revelara Sua presença na nuvem de glória, sobre o propiciatório. Repousara ali a base daquela escada mística, ligando a Terra ao Céu (Gênesis 28:12; S. João 1:51) – escada pela qual os anjos de Deus desciam a subiam, a que abria ao mundo o caminho para o lugar santíssimo. I-Iouvesse Israel, como nação, preservado a aliança com o Céu, Jerusalém teria permanecido para sempre como a eleita de Deus (Jeremias 17:21-25). Mas a história daquele povo favorecido foi um registro de apostasias a rebelião. Haviam resistido à graça do Céu, abusado de sews privilégios e menosprezado as oportunidades.
     Posto que Israel tivesse zombado dos mensageiros de Deus, desprezado Suas palavras a perseguido Seus profetas (2 Crônicas 36:16), Ele ainda Se lhes manifestara como "o Senhor, Deus misericordioso a piedoso, tardio em iras a grande em beneficência a verdade" (Exodo 34:6); apesar das repetidas rejeições, Sua misericórdia continuou a interceder. Com mais enternecido amor que o de pai pelo filho de seus cuidados, Deus lhes havia enviado "Sua palavra pelos Seus mensageiros, madrugando, a enviando-lhos; porque Se compadeceu de Seu povo a da Sua habitação." 2 Crônicas 36:15. Quando admoestações, rogos a censuras haviam falhado, enviou-lhes o melhor dom do Céu, mais ainda, derramou todo o Céu naquele único dom.
     O próprio Filho de Deus foi enviado para instar com a cidade impenitente. Foi Cristo que trouxe Israel, como uma boa vinha, do Egito (Salmo 80: 8). Sua própria mão havia lançado fora os gentios de diante deles. Plantou-a "em um outeiro fértil". Seu protetor cuidado cercara-a em redor. Enviou Seus servos para cultivá-la. "Que mais se podia fazer à Minha vinha," exclama Ele, "que Eu the não tenha feito?" Posto que quando Ele esperou que "desse uvas, veio a produzir uvas braves" (Isaías 5:1-4), ainda com esperança compassiva de encontrar frutos, veio em pessoa à Sua vinha, pare que porventura pudesse ser salve da destruiçâo. Cavou em redor dela, podou-a a protegeu-a. Foi incansável em Seus esforços pare salver esta vinha que Ele próprio plantara.
     Durante três anos o Senhor da luz a glória entrara a saíra por entre o Seu povo. Ele "andou fazendo o bem, a curando a todos os oprimidos do diabo" (Atos 10:38), aliviando os quebrantados de coração, pondo em liberdade os que se achavam presos, restaurando a vista aos cegos, fazendo andar aos coxos a ouvir aos surdos, purificando os leprosos, ressuscitando os mortos e pregando o evangelho aos pobres (S. Lucas 4:18; S. Mateus 11: 5). A todas estas classes igualmente foi dirigido o gracioso convite: "Vinde a Mim, todos os que estais cansados a oprimidos, e Eu vos aliviarei." S. Mateus 11:28.
     Conquanto Lhe fosse recompensado o bem com o mal e o Seu amor com o ódio (Salmo 109:5), Ele prosseguiu firmemente em Sua missão de misericórdia. jamais eram repelidos os que buscavam a Sua graça. Como viandante sem lar, tendo a ignomínia e a penúria como porção diária, viveu Ele pare ministrar às necessidades a abrandar as desgraças humanas, pare insistir com os homens a aceitarem o dom da vide. As ondas de misericórdia, rebatidas por aqueles corações obstinados, retornavam em uma vaga mais forte de terno a inexprimível amor. Mas Israel se desviara de Seu melhor Amigo a único Auxiliador. Os rogos de Seu amor haviam silo desprezados, Seus conselhos repelidos, ridicularizadas Suas advertências.
     A hora de esperança a perdão passava-se rapidamente; a taça da ire de Zeus, por Canto tempo adiada, estava quase cheia. As nuvens que haviam estado a acumular-se durante séculos de apostasia a rebelião, ore enegrecidas de calamidades, estavam presses a desabar sobre um povo criminoso; a Aquele que unicamente os poderia salver da condenaçào iminente, fore menosprezado, injuriado, rejeitado a seria logo crucificado. Quando Cristo estivesse suspenso da cruz do Calvário, teria terminado o tempo de Israel como nação favorecida a abençoada por Deus. A perda de uma alma qua seja é calamidade infinitamente maior qua os proveitos a tesouros de todo um mundo; entretanto, quando Cristo olhava sobre Jerusalém, achava-se perante Ele a condenação de uma cidade inteira, de toda uma nação - sim, aquela cidade a nação qua foram as escolhidas de Deus, Seu tesouro peculiar.
     Profetas haviam chorado a apostasia de Israel, a as terríveis desolações qua seus pecados atraíram. Jeremias desejava qua seus olhos fossem uma fonte de lágrimas, pare qua pudesse chorar die a noite pelos mortos da filha de seu povo, Palo rebanho do Senhor qua fore levado em cativeiro (Jeremias 9:1; 13:17). Qual não era, pois, a dor dAquele cujo olhar profético abrangia não os anos mas os séculos! Contemplava Ele o anjo destruidor com a espada levantada contra a cidade qua durante tanto tempo fore a morada de Jeová. Do curve do monte das Oliveiras, no mesmo ponto mais tarde ocupado por Tito e seu exército, olhava Ele através do vale pare os pátios a pórticos sagrados, e, com a vista obscurecida pales lágrimas, via em terrível perspective, os muros rodeados de hostes estrangeiras. Ouvia o tropel de exércitos dispondo-se pare a guerre. Distinguia as oozes de mães a crianças qua, na cidade sitiada, bradavam pedindo pão. Via entregues às dramas o santo a halo templo, os palácios a tomes, a no lugar em qua ales se erigiam, apenas um monte de ruínas fumegantes.
     Olhando através dos séculos futuros, via o povo do concerto espalhado em todos os países, semelhantes aos destroços de um naufrágio em Praia deserta. Nos castigos prestes a cair sobre Seus filhos, não via Ele senão o primeiro sorvo daquela taça de ira que no juízo final deveriam esgotar até às fazes. A piedade divine, o terno amor encontraram expressão nestas melancólicas palavras: " Jerusalém, Jerusalém, qua mates os profetas, a apedrejas os qua to são enviados! quantas vezes quis Eu ajuntar os tens fiIhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, a to não quiseste!" S. Mateus .23:3i . Oh, se houveras conhecido, como nação favorecida acima de todas as outras, o tempo de tua visitação a as coisas qua pertencem à tua Paz! Tenho contido o anjo da justiça, tenho-te convidado ao arrependimento, mss em vão. Não é meramente a servos, enviados e profetas que tens repelido a rejeitado, mss ao Santo de Israel, teu Redentor. Se és destruída, to unicamente és. a responsável. "E não quereis vir a Mim pare terdes villa." S. João 5:40.
     Cristo viu em Jerusalém um símbolo do mundo endurecido na incredulidade a rebelião, a apressando-se ao encontro dos juízos retribuidores de Deus. As desgraças de uma raça decaída, oprimindo-Lhe a alma, arrancavam de Seus lábios aquele clamor extremamente amargurado. Viu a história do pecado traçada pelas misérias, lágrimas a sangue humanos; o coração moveu-selhe de infinite compaixão pelos aflitos a sofredores da Terra; angustiava-Se por aliviar a todos. Contudo, mesmo a Sua mão não poderia demover a onda das desgraças humanas; poucos procurariam a única fonte de auxilio. Ele estava disposto a derramar a alma na morte, a fim de colocar a salvação ao seu alcance; poucos, porém, viriam a Ele pare que pudessem ter villa.
     A Majestade dos Céus em pranto o Filho do infinito Deus perturbado em espíruo, curvado em angústia! Esta cena encheu de espanto o Céu inteiro. Revels-nos a imensa malignidade do pecado; mostra quão árdua tarefa é, mesmo pare o poder infinito, salver ao culpado das conseqüências da transgressão da leï de Deus. Jesus, olhando pare a última geração, viu o mundo envolto em engano semelhante ao que causou a destruição de Jerusalém. O grande pecado dos judeus foi rejeitarem a Cristo; o grande pecado do mundo cristão seria rejeitarem a lei de Deus, fundamento de Seu governo no Céu a na Terra. Os preceitos de Jeová serum desprezados a anulados. Milhões na servidão do pecado, escravos de Satanás, condenados a sofrer a segunda morte, recusar-seiam a escutar as palavras de verdade no die de sue visitação. Terrível cegueira estranha presunção!
     Dois dies antes da Páscoa, quando Cristo pela última vez Se havia afastado do templo, depois de denunciar a hipocrisia dos prïncipes judeus, novamente sai corn os discípulos pare o monte das Oliveiras, a assents-Se com eles no declive relvoso, sobranceiro à cidade. Mais uma vez contempla seus muros, torres e palácios. Mais urns vez se Lhe depara o templo em seu deslumbrante esplendor, qual diadems de beleza a coroar o monte sagrado.
     Mil anos antes, o salmista engrandecera o favor de Deus pats corn Israel fazendo da cars sagrada deste a Sua morada: "Em Salém está o Seu tabernáculo, e a Sua morada em Sião." Salmo '16:2. Ele "elegeu a tribo de Judá; o monte de Sião, que Ele amava. E edificou o Seu santuário como aos lugares elevados." Salmo 78:68 a 69.O primeiro templo fore erigido durante o período mais próspero da história de Israel. Grander armazenamentos de tesouros pare este fim haviam sido acumulados pelo rei Davi e a plants pare a sue construção fore feita pot inspiração diving. (1 Crônicas 28:12 a 19.) Salomão, o mais sábio dos monarcas de Israel, completara a obra. Este templo foi o edifício mais magnificente que o mundo já viu. Contudo o Senhor declarou pelo profeta Ageu, relativamente ao segundo templo: "A glória desta última case será maior do que a da primeira." "Farei tremer todas as nações, a virá o Desejado de todas as nações, a encherei esta case de glória, diz o Senhor dos exércitos." Ageu 2:9 a 7.
     Depois da destruição do templo pot Nabucodonosor, foi reconstruído aproximadamente quinhentos anos antes do nascimento de Cristo, pot um povo que, de um longo cativeiro, voltara a um país devastado a quase deserto. Havia então entre eles homens idosos que tinham visto a glória do templo de Salomão a que choraram junto aos alicerces do novo edifício porque devesse set tão inferior ao antecedente. O sentimento que prevalecia é vividamente descrito pelo profeta: "Quern há entre vós que, tendo ficado, viu esta case na sue primeira glória? e como a vedes agora? não é esta como nada em vossos olhos, comparada corn aquela?" Ageu 2:3; Esdras 3:12. Então foi feita a promessa de que a glória desta última case seria maior do que a da anterior.
     Mas o segundo templo não igualou o primeiro em magnificência; tampauco foi consagrado pelos visíveis sinais da presença diving que o primeiro tivera. Não houve manifestação de poder sobrenatural pare assinalar sue dedicação. Nenhuma nuvem de glória foi vista a encher o santuário recém-erigido. Nenhum fogo do Céu desceu para consumir o sacrifício sobre o altar. O "shekinah" não mais habitava entre os querubins no lugar santíssimo; a arcs, o propiciatório, as tábuas do testemunho não mais deviam encontrar-se ali. Nenhuma voz ecoava do Céu para tornar conhecida ao sacerdote inquiridor a vontade de Jeová.
     Durante séculos os judeus debalde se haviam esforçado por mostrar que a promessa de Deus feita por Ageu se cumprira; entretanto, o orgulho e a incredulidade lhes cegavam a mente ao verdadeiro sentido das palavras do profeta. O segundo templo não foi honrado corn a nuvem de glória de Jeová, mss corn a presença viva dAquele em quern habits corporalmente a plenitude da divindade - que foi o próprio Deus manifesto em carne. O "Desejado das nações" havia em verdade chegado a Seu templo quando o Homem de Nazaré ensinava a curava nos pátios sagrados. Corn a presença de Cristo, a corn ela somente, o segundo templo excedeu o primeiro em glória. Mas Israel afastara de si o Dom do Céu, que the era oferecido. Corn o humilde Mestre que naquele dia saíra de seu portal de ouro, a glória para sempre se retirara do templo. Já eram cumpridas as palavras do Salvador: "Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserts." S. Mateus 23:38.
     Os discípulos ficaram cheios de espanto a admiração ante a profecia de Cristo acerca da subversão do templo, a desejavam compreender melhor o significado de Suas palavras. Riquezas, trabalhos a perícia arquitetônica haviam durante mais de quarenta anos sido liberalmente expedidos para salientar os seus esplendores. Herodes, o Grande, nele empregara prodigamente tanto riquezas romanas como tesouros judeus, a mesmo o imperador do mundo o tinha enriquecido corn seus dons. Blocos maciços de mármore branco, de tamanho quase fabuloso, provenientes de Roma para este fim, formavam parte de sua estrutura; a para eles chamaram os discípulos a atenção do Mestre, dizendo: "Olha que pedras, a que edifícios!" S. Marcos 13:1.
     A estas palavras deu Jesus a solene a surpreendente resposta: "Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada." S. Mateus 24:2.
     Corn a subversão de Jerusalém os discípulos associaram os fatos da vinda pessoal de Cristo em glória temporal a fim de assumir o trono do império do Universo, castigar os judeus impenitentes a libertar a nação do jugo romano. O Senhor Ihes dissera que viria a segunda vez. Daí, corn a menção dos juízos sobre Jerusalém, volveram o pensamento para aquela vinda; e, como estivessem reunidos em torno do Salvador sobre o monte das Oliveiras, perguntaram: "Quando serão essas coisas, a que sinal haverá da Tua vinda a do fim do mundo?" S. Mateus 24:3.
     O futuro estava misericordiosamente velado aos discípulos. Houvessem eles naquela ocasião compreendido perfeitamente os doffs terríveis fatos - os sofrimentos a morte do Redentor, e a destruição de sua cidade a templo - teriam sido dominados pelo terror. Cristo apresentou diante deles um esboço dos acontecimentos preeminentes a ocorrerem antes do final do tempo. Suas palavras não foram então completamente entendidas; mas a significação serlhes-is revelada quando Seu povo necessitasse da instrução nelas dada. A profecia que Ele proferiu era dupla em seu sentido: ao mesmo tempo em que prefigurava a destruição de Jerusalém, representava igualmente os terrores do último grande dia.
     Jesus declarou aos discípulos que O escutavam, os juízos que deveriam cair sobre o apóstata Israel, a especialmente o castigo retribuidor que the sobreviria por sua rejeição a crucifixão do Messias. Sinais inequívocos precederiam a terrível culminação. A hora temida viria súbita a celeremente. E o Salvador advertiu a Seus seguidores: "Quando pois virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar Santo (quern lê, atenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes." S. Mateus 24:15 a 16; S. Lucas 21:20. Quando os estandartes idolátricos dos romanos fossem arvorados em terra santa, a qual se estendia por alguns estádios fora dos muros da cidade, então os seguidores de Cristo deveriam achar segurança na fuga. Quando Posse visto o sinal de aviso, os que desejavam escapar não deveriam demorar-se. Por toda a terra da Judéia, bem como em Jerusalém mesmo, o sinal pare a fuga deveria ser imediatamente obedecido. Aquele que acaso estivesse no telhado, não deveria descer à case, mesmo pare salver os tesouros mais valiosos. Os que estivessem trabalhando nos cameos ou nos vinhedos, não deveriam tomar tempo pare voltar a fim de apanhar a roupa exterior, posts de Iado enquanto estavam a labutar no calor do die. Não deveriam hesitar um instante, pare qua não fossem apanhados pale destruição geral.
     No reinado de Herodes, Jerusalém não só havia sido grandemente embelezada, mss, pale ereção de torres, muralhas a fortalezas, em acréscimo à força natural de sue posição, tornara-se aparentemente inexpugnável. Aquele qua nesse tempo houvesse publicamente predito sue destruição, teria sido chamado, como Noé em sue época, doido alarmists. Mas Cristo dissera: "O céu a a Terra passarão, mss as Minhas palavras não hão de passer." S. Mateus 24:35. Por cause de seus pecados, foi anunciada a ire contra Jerusalém, a sue pertinaz incredulidade seloulhe a some.
     O Senhor tinha declarado pelo profeta Miquéias: "Ouvi agora isto, vós, chafes da case de Jacó, a vós, maiorais da case de Israel, qua abominais o juízo a perverteis tudo o qua é direito, edificando a Sião com sangue, e a Jerusalém com injustiça. Os sews chafes dão as sentenças por presentes, a os seus sacerdotes ensinam por interesse, a os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? nenhum mal nos sobrevirá." Miquéias 3:9-11.
     Estas palavras descreviam fielmente os habitantes de Jerusalém, corruptos a possuídos de justiça própria. Pretendendo embora observer rigidamente os preceitos da lei de Deus, estavam transgredindo todos os seus princípios. Odiavam a Cristo porque a Sua pureza a santidade lhes revelavam a iniqüidade própria; a acusavam-no de ser a cause de todas as angústias qua lhes tinham sobrevindo em conseqüência de seus pecados. Posto qua soubessem não tar Ele pecado, declararam qua Sua morte era necessária pare a segurança dales como nação. "Se O deixarmos assim," disseram os chafes dos judeus, "todos crerão nEle, a virão os romanos, a titer-nos-ão o nosso lugar e a nação." S. João 11:48. Se Cristo fosse sacrificado, eles poderiam uma vez mais se tornar um povo forte, unido. Assim raciocinavam, e concordavam tom a decisão de seu sumo sacerdote de que seria melhor morrer um homem do que perecer toda a nação.
     Assim os dirigentes judeus edificaram a "Sião tom sangue, e a Jerusalém tom injustiça." E além disso, ao mesmo tempo em que mataram seu Salvador porque Ihes reprovava os pecados, tal era a sue justiça própria que se consideravam como o povo favorecido de Deus, a esperavam que o Senhor os livrasse dos inimigos. "Portanto," continuou o profeta, "pot cause de vós, Sião será lavrada como um tempo, a Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta case em lugares altos dum bosque." Miquéias 3:12.
     Durante quase quarenta anos depois que a condenação de Jerusalém fore pronunciada pot Cristo mesmo, retardou o Senhor os Seus juízos sobre a cidade a nação. Maravilhosa foi a longanimidade de Deus pare tom os que Lhe rejeitaram o evangelho a assassinaram o Filho. A parábola da árvore infrutífera representava o trato de Deus pare tom a nação judaica. Fore dada a ordem: "Cotta-a; pot que ocupa ainda a terra inutilmente?" S. Lucas 13:7. Mas a misericórdia diving poupara-a ainda um pouco de tempo. Muitos havia ainda entre os judeus que eram ignorantes quanto ao caráter a obra de Cristo. E os filhos não haviam gozado das oportunidades nem recebido a luz que seus pals tinham desprezado. Mediante a pregação dos apóstolos e de seus cooperadores, Deus faria tom que a luz resplandecesse sobre eles; set-lhes-is permitido vet como a profecia se cumprira, não somente no nascimento a vide de Cristo, mas também em Sua morte a ressurreição. Os filhos não foram condenados pelos pecados dos pais; quando, porém, conhecedores de toda a luz dada a seus pais, os filhos rejeitaram mesmo a que lhes fore concedida a mais, tornaram-se participantes dos pecados daqueles e encheram a medida de sue iniqüidade.
     A longanimidade de Deus pare tom Jerusalém apenas confirmou os judeus em sue obstinada impenitência. Em seu ódio e crueldade pare tom os discípulos de Jesus, rejeitaram o último oferecimento de misericórdia. Afastou Deus então deles a proteção, retirando o poder corn que restringia a Satanás a seus anjos, de maneira que a naçào ficou sob o controle do chefe que haviam escolhido. Seus filhos tinham desdenhado a graça de Cristo, que os teria habilitado a subjugar seus mans impulsos, a agora estes se tornaram os vencedores. Satanás suscitou as mais violentas a vis paixões da alma. Os homens não raciocinavam; achavam-se furs da razào, dirigidos pelo impulso a cega raiva. Tornaram-se satânicos em sua crueldade. Na família e na sociedade, entre as mais altas como entre as mais baixas classes, havia suspeita, inveja, ódio, contends, rebelião, assassínio. Não havia segurança em pane alguma. Amigos a parentes traíam-se mutuamente. Pais matavam aos filhos, a filhos aos pais. Os príncipes do povo nâo tinham poder para governarse. Desenfreadas paixões faziam-nos tiranos. Os judeus haviam aceitado falso testemunho para condenar o inocente Filho de Deus. Agora as falsas acusações tornavam insegura sua proAria vida. Pelas suss ações durante muito tempo tinham estado a diner: "Fazei que deixe de estar o Santo de Israel perante nós." Isaías 30:11. Agora seu desejo foi satisfeito. O terror de Deus não mail os perturbaria. Satanás estava à frente da nação a as mais altas autoridades civis a religiosas estavam sob o seu domínio.
     Os chefes das facções oponentes por vezes se uniam para saquear a torturar suss desgraçadas vítimas, a novamente caíam sobre as forças uns dos outros, fazendo impiedosa matança. Mesmo a santidade do templo não lhes refreava a horrível ferocidade. Os adoradores eram assassinados diante do altar, e o santuário contaminava-se cum corpus de mortos. No entanto, em sua cega a blasfema presunção, os instigadores fiesta obra infernal publicamente declaravam que não tinham receio de que Jerusalém fosse destruída, pois era a própria cidade de Deus. A fim de estabelecer mail firmemente seu poder, subornaram profetas falsos para proclamar, mesmo enquanto as legiões romanas estavam sitiando o templo, que o povo devia aguardar o livramento de Deus. Afinal, as multidões apegaramse firmemente à crença de que o Altíssimo interviria para a derrote de seus adversários. Israel, porém, havia desdenhado a proteção diving, a agora não tinha defesa. Infeliz Jerusalém! despedaçada pot dissensães intestines, com o sangue de seus filhos, mottos pelas mãos uns de outros, a tingir de carmesim suss rugs, enquanto hostis exércitos estrangeiros derribavam sues fortificações a lhes matavam os homens de guerre!
     Todas as predições feitas pot Cristo relatives à destruição de Jerusalém cumpriram-se à tetra. Os judeus experimentaram a verdade de Suas palavras de advertência: "Com a medida com que tiverdes medido, vos hão de medir a vós." S. Mateus 7:2.
     Apareceram sinais a prodígios, prenunciando desastre a condenação. Ao meio da noite, uma luz sobrenatural resplandeceu sobre o templo e o altar. Sobre as nuvens, ao pôr do Sol, desenhavam-se carros a homens de guerre reunindo-se pare a bataIha. Os sacerdotes que ministravam à noite no santuário, aterrorizavam-se com sons misteriosos; a terra tremia a ouvia-se multidão de oozes a clamar: "Partamos daqui!" A grande ports oriental, tão pesada que dificilmente podia set fechada pot uns vinte homens, a que se achava segura pot imensas barras de ferro fixes profundamente no pavimento de pedra sólida, abriuse à meia-noite, independence de qualquer agente visível.— História dos Judeus, de Milman, livro 13.
     Durante sete anos um homem esteve a subir a descer as rugs de Jerusalém, declarando as desgraças que deveriam sobrevir à cidade. De dig a de noite cantava ele funebremente: "Uma voz do Oriente, uma voz do Ocidente, uma voz dos quatro ventos! uma voz contra Jerusalém a contra o templo! uma voz contra os noivos a as noivas! uma voz contra o povo!" - Ibidem. Este set estranho foi preso a açoitado, mss nenhuma queixa the escapou dos lábios. Aos insultos a maus tratos respondia somente: "Ai! ai de Jerusalém!" "Ai! ai dos habitantes dela!" Seu clamor de aviso não cessou senão quando foi motto no cerco que havia predito.
     Nenhum cristão pereceu na destruição de Jerusalém. Cristo fizera a Seus discípulos o aviso, a todos os que creram em Suas palavras aguardaram o sinal prometido. "Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos," disse Jesus, "sabei que é chegada a sue desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam pare os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam." S. Lucas 21:20 a 21. Depois que os romanos, sob Céstio, cercaram a cidade, inesperadamente abandonaram o cerco quando tudo parecia favorável a um ataque imediato. Os sitiados, perdendo a esperança de poder resistir, estavam a ponto de se entregar, quando o general romano retirou sues forças sem a minima razão aparente. Entretanto, a misericordiosa providência de Deus estava dirigindo os acontecimentos pare o bem de Seu próprio povo. O sinal prometido fore dado aos cristãos expectantes, a agora se proporcionou a todos oportunidade pare obedecer ao aviso do Salvador. Os acontecimentos foram encaminhados de tal maneira que nem judeus nem romanos impediriam a fuga dos cristãos. Com a retirada de Céstio, os judeus, fazendo uma surtfda de Jerusalém, foram ao encalço de seu exército que se afastava; e, enquanto ambas as forças estavam assim completamente empenhadas em lute, os cristãos tiveram ensejo de deixar a cidade. Nesta ocasião o território também se havia desembaraçado de inimigos que poderiam ter-se esforçado pare lhes interceptar a passagem. Na ocasião do cerco os judeus estavam reunidos em Jerusalém pare celebrar a festa dos Tabernáculos, a assim os cristãos em todo o país puderam escapar sera ser molestados. Imediatamente fugiram pare um lager de segurança - a cidade de Pela, na terra de Peréia, além do Jordão:
     As forças judaicas, perseguindo a Céstio a sea exército, caíram sobre sue retaguarda com tal ferocidade que o ameaçaram de destruição total. Foi com grande dificuldade que os romanos conseguiram efetuar a retirada. Os judeus escaparam quase sem perdas, a com sews despojos voltaram em triunfo pare Jerusalém. No entanto este êxito aparente apenas lhes acarretou males. Inspirou-lhes aquele espírito de pertinaz resistência aos romanos, que celeremente trouxe indescritível desgraça sobre a cidade sentenciada.
     Terríveis foram as calamidades que caíram sobre Jerusalém quando o cerco foi reassumido por Tito. A cidade foi assaltada na ocasião da Páscoa, quando milhões de judeus estavam reunidos dentro de seus muros. Sues provisões de víveres, qua a serem cuidadosamente preservadas teriam suprido os habitantes durante anos, tinham sido previamente destruídas pale rivalidade a vingança das facções contendoras, a agora experimentaram todos os horrores da morte à force. Uma medida de trigo era vendida por um talento. Tão atrozes eram os transes da force qua homens roíam o couro de seus cinturões a sandálias, e a cobertura de seus escudos. Numerosas pessoas saíam da cidade à noite, furtivamente, pare apanhar plantas silvestres qua cresciam fore dos muros da cidade, se bem qua muitos fossem agarrados a mortos com severas tortures; a muitas vezes os qua voltavam em segurança eram roubados naquilo qua haviam rebuscado corn tão grande perigo. As mais desumanas tortures eram infligidas pelos qua se achavam no poder, a fim de extorquir do povo atingido pale necessidade os últimos a escassos suprimentos qua poderiam tar escondido. E tais crueldades eram freqüentemente praticadas por homens qua se achavam, aliás, barn alimentados, a qua simplesmente estavam desejosos de acumular urn depósito de provisões pare o futuro.
     Milhares pereceram pale Tome a pale paste. A afeição natural parecia tar-se destruído. Maridos roubavam de sue esposa, e esposas de seu marido. Viam-se filhos arrebatar o alïmento da boca de seus pais idosos. A pergunta do profeta: "Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho qua cria?" (Isaías 49:15) recebeu dentro dos muros da cidade condenada, a resposta: "As mãos das mulheres piedosas cozeram os próprios filhos; serviram-lhes de alimento na destruição da filha de Meu povo." Lamentações 4:10. Novamente se cumpriu a profecia de aviso, dada catorze séculos antes: "E quanto à mulher mais mimosa a delicada entre ti, qua de mimo a delicadeza nunca tentou pôr a plants de seu pé sobre a terra, será maligno o seu olho contra o homem de seu regaço, a contra seu filho, a contra sue filha; . . . e por cause de seus filhos qua fiver; porque os comerá às escondidas pale felts de tudo, no cerco a no aperto corn qua o teu inimigo to apertará nas tugs Aortas." Deuteronômio 28:56 a 57.
     Os chafes romanos esforçaram-se por infundir terror aos judeus, a assim fazê-los render-se. Os prisioneiros qua resistiam ao cair presos, eram açoitados, torturados a crucificados diante do muro da cidade. Centenas eram diariamente mortos desta maneira, a essa horrível obra prolongou-se até que ao longo do vale de Josafá a no Calvário se erigiram cruzes em tão grande número que mal havia espaço pare mover-se entre elas. De tão terrível maneira foi castigada aquela espantosa imprecação proferida perante o tribunal de Pilatos: "O Seu sangue caia sobre nós a sobre nossos filhos." S. Mateus 27:25.
     Tito, de boa vontade, teria posto termo à terrível cena, poupando assim a Jerusalém da medida complete de sue condenação. EIe se enchia de terror ao ver os corpos jazendo aos montes nos vales. Como alguém que estivesse em êxtase, olhava ele do cimo do Monte das Oliveiras ao templo magnificente, e deu ordem pare qua nenhuma de sues padres Posse tocada. Antes de tentar ganhar posse desta fortaleza, fez ardente apelo aos chafes judeus pare não o forçarem a profaner com sangue o lugar sagrado. Se saíssem a combatessem em outro local, nenhum romano violaria a santidade do templo. O próprio Josefo, com apelo eloqüentíssimo, suplicou qua se rendessem, pare se salvarem a si, a sue cidade a seu lugar de culto. Sues palavras, porém, foram respondidas com pragas emerges. Lançaram-se dardos contra ale, qua era seu último mediador humano, enquanto persistia em instar com ales. Os judeus haviam rejeitado os rogos do Filho de Deus a agora as advertências a rogos apenas os tornavam mail decididos a resistir até o último ponto. Baldados foram os esforços de Tito pare salver o templo; AIguém, maior do qua ale, declarara qua não fìcaria padre sobre padre.
     A cage obstinação dos chafes dos judeus a os abomináveis crimes perpetrados dentro da cidade sitiada, excitaram o horror e a indignação dos romanos, a Tïto finalmente se decidiu a tomar o templo de assalto. Resolveu, contudo, qua, sendo possível, deveria o mesmo ser salvo da destruição. Mas sues ordens foram desatendidas. Depois qua eIe se retirara pare a sue tenda à noite, os judeus, dando uma surtida do templo, atacaram fore os soldados. Na lute, um soldado arremessou urn facho através de ulna abertura no pórtico, a imediatamente as sales revestidas de cedro, em rector da case sagrada, se acharam em chamas. Tito precipitouse pare o local, seguido de seus generals e legionários, a ordenou aos soldados qua apagassem as labaredas. Sues palavras não forarm atendidas. Em sue fúria, os soldados lançaram tochas ardentes nas sales contínguas ao templo, e coin a aspects assassinavam em grande número os qua all tinham procurado refúgio. O sangue corria como água pales escadas do templo abaixo. Milhares a milhares de judeus pereceram. Acima do ruído da batalha, ouviam-se oozes bradando: "Icabode!" - foi-se a glória.
     "Tito achou impossível caster a fúria da soldadesca; entrou corn seas oficiais a examinou o interior do edifício sagrado. O esplendor encheu-os de admiração; e, como as chamas não houvessem ainda penetrado no lager canto, fez um último esforço pare salvá-lo; e, apresentando-se-lhes repentinamente, de novo exortou os soldados a deterem a marcha da conflagração. O centurião Liberalis esforçou-se pot impor obediência com o sea estado maior; mss o próprio respeito pare com o imperador cedeu lager à furiosa animosidade contra os judeus, ao excitamento feroz da batalha, e à esperança insaciável do saque. Os soldados viam tudo em rector dales resplandecendo de ouro, qua fulgurava deslumbrantemente à luz sinistra das chamas: supunham qua incalculáveis tesouros estivessem acumulados no santuário. Urn soldado, sera set percebido, arrojou uma tocha acesa pot entre os gonzos da ports: o edifício todo em um momento ficou em chamas. O denso fumo e o fogo obrigaram os oficiais a retirarse, e o nobre edifício foi abandonado à sue cotta.
     "Era um espetáculo pavoroso aos romanos; a qua saris ale pare os judeus? Todo o cimo da colina qua dominava a cidade, chamejava como um vulcão. Urn após outro caíram os edifícios, com tremendo fragor, a foram absorvidos pelo ígneo abismo. Os tetos de cedro assemelhavam-se a lençóis de fogo; os pináculos dourados resplandeciam como pontes de luz vermelha; as tortes-dos portals enviavam pare circa altas colunas de charm a fumo. As colinas vizinhas se iluminavam; a grupos obscuros de pessoas foram vistas a observer corn horrível an siedade a rnarcha da destruição; os muros a pontos elevados da cidade alts ficaram repletos de rostos, alguns pálidos, com a agonia do desespero, outros com expressão irada, a ameaçar uma vingança inútil. As aclamaçóes da soldadesca romana, enquanto corriam de uma ears outra parte, e o gemido dos insurgentes que estavam perecendo nas dramas, misturavam-se com o rugido da conflagração e o rumor trovejante do madeiramento que caía. Os ecos das montanhas respondiam ou traziam de volts os gritos do povo nos pontos elevados; ao longo de todo o rnuro ressoavam alaridos a prantos; homens que estavam a expirar eels force reuniam sue força restante ears proferir um grito de angústia a desolação.
     "O morticínio, do lado de dentro, era até mais terrível do que o espetáculo visto fore. omens a mulheres, velhos a moços, insurgentes a sacerdotes, os que combatiam a os que imploravam rnisericórdia, eram retalhados errs indiscriminada carnificina. O número de mottos excedeu ao dos matadores. Os legionários tiveram de trepar sobre os montes de cadáveres pare prosseguir na obra de extermínio." - hTrstória dos Judeus, de Milman, Iivro 16.
     Depois da destruição do templo, a cidade inteira logo caiu nas mãos dos romanos. Os chefes dos judeus abandonaram as tortes inexpugnáveis, a Tito as achou desertas. Contemplou-as corn esparto a declarou que Dues lhas havia entregue em sues mãos; pois engenho algum, ainda que poderoso, poderia ter prevalecido contra aquelas estupendas ameias. Tanto a cidade como o templo forum arrasados até aos fundamentos, e o terreno err que se erguia a case sagrada foi lavrado como um cameo. (Jeremias 2ô:18.) No cerco a morticínio que se seguiram, pereceram mail de urn milhão de pessoas; os sobreviventes forum levados como escravos, como tail vendidos, arrastados a Roma pare abrilhantar a vitória do vencedor, lançados às fetes nos anfiteatros, ou dispersos pot toda a Terra como vagabundos Bern lar.
     Os judeus haviam forjado seus próprios grilhões; eles mesmos encheram a taça da vingança. Na destruição complete que lhes sobreveio como nação, a em todas as desgraças que os acompanharam depois de dispersos, nào estavam senãc recolhendo a masse qua sues próprias mãos semearam. Diz o profeta: "Pare tug perda, ó Israel, to rebelaste contra Mim," "pelos teas pecados tens caído" (Oséias 13:9; 14:1). Seas sofrimentos são muitas vezes representados como sendo castigo a else infligido por decreto direto da parte de Deus. É assim qua o grande enganador procure esconder sue própria obra. Pela obstinada rejeiçào do amor a misericórdia diving, os judeus fizeram corn qua a proteção de Deus fosse dales retirada, a permitiu-se a Satanás dirigi-los segundo a sue vontade. As horríveis crueldades executadas na destruiçào de Jerusalém são uma demonstração do poder vingador de Satanás sobre os qua se rendem ao sea controls.
     Não podemos saber quanto devemos a Cristo pale paz a proteçáo de qua gozamos. E o poder de Deus qua impede qua a humanidade passe completamente pare o domínio de Satanás. Os desobedientes a ingratos têm grande motivo de gratidão pela misericórdia a longanimidade de Deus, qua contém o cruel e pernicioso poder do maligno. Quando, porém, os homens passam os limites da clemência diving, a restrição é removida. Deus não fica em relaçáo ao pecador como executor da sentença contra a transgressão; mss deixa entregues a si mesmos os qua rejeitam Sua misericórdia, pare colherem aquilo qua semearam. Cads raio de luz rejeitado, cads advertência desprezada ou desatendida, cads paixão contemporizada, cads transgressão da lei de Deus, é uma semente lançada, a qual produz infalível masse. O Espírito de Deus, persistentemente resistido, é afinal retirado do pecador, a entào poder algum permanece pare dominar as más paixões da alma, a nenhuma proteçáo contra a maldade a inimizade de Satanás. A destruição de Jerusalém constitui tremenda a solene advertência a todos os qua estão tratando levianamente com os oferecimentos da graça divine e resistindo aos rogos da misericórdia de Deus. Jamais foi dado urn testemunho mais decisivo do ódio ao pecado por parts de Deus, a do castigo certo qua recairá sobre o culpado.
     A profecia do Salvador relative aos juízos qua deveriam cair sobre Jerusalém há de tar outro cumprimento, do qual aquela terrível desolação não foi senão tênue sombra. Na some da. cidade escolhida podemos contemplar a condenação de um mundo que rejeitou a misericórdia de Deus a calcou a pés a Sua lei. Tenebrosos são os registros da miséria humana que a Terra tem testemunhado durante seas longos séculos de crime. Ao contemplá-los confrange-se o coração e o espíruo desfalece. Terríveis têm silo os resultados da rejeição da autoridade do Céu. Entretanto, tens ainda mais tenebrosa se apresenta nas revelações do futuro. Os registros do passado - o longo cortejo de tumultos, conflitos a revoluções, a "armadura daqueles que pelejavam corn ruído, a os vestidos que rolavam no sangue" (Isaías 9:5) que são, em contraste tom os terrores daquele dia em que o Espírito de Deus será totalmente retirado dos ímpios, não mail contendo a explosão das paixões humanas a ira satânica! O mundo contemplará então, como nunca dantes, os resultados do governo de Satanás.
     Mas naquele dia, hem como na ocasião da destruição de Jerusalém, livrarse-á o povo de Deus, "todo aquele que estiver inscrito entre os vivos." Isaías 4:3. Cristo declarou que virá a segunda vez para reunir a Si os Seus fiéis: "E todas as tríbos da Terra se lamentarão, a verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, tom poder a grande glória. E Ele enviará os Seus anjos corn rijo clamor de trombeta, os quaffs ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." S. Mateus 24:30 a 31. Então os que não obedecem ao evangelho serão consumidos pelo espíruo de Sua hots, a serão destruídos tom o resplandor de Sua vinda. (2 Tessalonicenses 2:8.) Como o antigo Israel, os ímpios destroemse a si mesmos; caem pals sua iniqüidade. Em conseqüência de uma vida de pecados, colocaram-se tão fora de harmonia tom Deus, sua natureza se tornou tão aviltada corn o anal, qua a manifestação da glória diving é para ales urn fogo consumidor.
     Acautelem-se os homens para qua não aconteça negligenciarem a lição qua lhes é comunicada pelas palavras de Crisco. Assim comp ale preveniu Seus discípulos quanto à destruição de Jerusalém, dando-lhes um sinal da ruína qua se aproximava para qua pudessem escapar, também advertiu o mundo quanto ao die dá destruição final, a lhes deu sinais de sue aproximação pare que todos os que queiram, possam fugir da ire vindoura. Declare Jesus: "E haverá sinais no 501, na Lua a nas estrelas; a na Terra angústia das nações." S. Lucas 21:25; S. Mateus 24:29; S. Marcos 13:24-25; Apocalipse 6:12-17. Os que contemplam estes prenúncios de Sua vinda, devem saber que "está próximo, às portas." S. Mateus 24:33. "Vigiai, pois" (S. Marcos 13:35), são Sues palavras de advertência. Os que atendem ao aviso não serão deixados em trevas, pare que aquele die os apanhe desprevenidos. Mas aos que não vigiarem, "o die do Senhor virá como o ladrão de noite." 1 Tessalonicenses 5:2.
     O mundo não está mais preparado pare dar crédito à mensagem pare este tempo do que estiveram os judeus pare receber o aviso do Salvador, relativo a Jerusalém. Venha quando vier, o die do Senhor virá de improviso aos ímpios. Correndo a vide sue rotina invariável; encontrando-se os homens absortos nos prazeres, negócios, comércio a ambição de ganho; estando os dirigentes do mundo religioso a engrandecer o progresso a ilustração do mundo, a achandose o povo embalado em uma false segurança, então, como o ladrão à meia-noite rouba na case que não é guardada, sobrevirá repentina destruição aos descuidados a ímpios, a "de nenhum modo escaparão." 1 Tessalonicenses 5:3-5.


 
CAPÍTULO 2

O Valor dos Mãrtires


     Quando Jesus revelou a Seus discípulos a some de Jerusalém a as cenas do segundo advento, predisse também a experiência de Seu povo desde o tempo em que deveria ser tirado dentre eles até a Sua volts em poder a glória pare o seu libertamento. Do Monte das Oliveiras o Salvador contemplou as tempestades prestes a desabar sobre a igreja apostólica; e penetrando main profundamente no futuro, Seus olhos divisaram os terríveis a devastadores vendavais que deveriam açoitar Seus seguidores nos vindouros séculos de trevas a perseguição. Em poucas a breves declarações de tremendo significado, predisse o que os governadores dente mundo haveriam de impor à igreja de Deus. (S. Mateus 24:9, 21 a 22.) Os seguidores de Cristo deveriam trilhar a mesma sends de humilhação, ignomínia a sofrimento que Seu Mestre palmilhara. A inimizade que irrompera contra o Rendentor do mundo, manifestar-se-ia contra todos os que cressem em Seu nome.
     A história da igreja primitiva testificou do cumprimento das palavras do Salvador. Os poderes da Terra a do inferno arretimentaram-se contra Cristo na pessoa de Seus seguidores. O paganismo previa que se o evangelho triunfasse, seus templos e altares desapareceriam; portanto convocou suss forças pare destruir o cristianismo. Acenderam-se as fogueiras da perseguição. Os cristãos eram despojados de sues posses a expulsos de sues cases. Suportaram "grande combate de aflições." Hebreus 10:32. "Experirnentaram escárnios a açoites, a até cadeias a prisões." Hebreus 11:36. Grande número dales selaram seu testemunho com o próprio sangue. Nobres a escravos, ricos a pobres, doutos a ignorantes, foram de igual modo mortos sem misericórdia.
     Estas perseguições, iniciadas sob o governo de Nero, aproximadamente ao tempo do martírio de S. Paulo, continuaram com maior ou manor fúria durance séculos. Os cristãos eram falsamente acusados dos mais hediondos crimes a tidos como a cause das grandes calamidades forces, pastes a terremotos. Tornando-se ales objeto do ódio a suspeita popular, prontificaram-se denunciantes, por amor ao ganho, a trair os inocentes. Eram condenados como rebeldes ao império, como inimigos da religião a paste da sociedade. Grande número dales eram lançados às fares ou queimados vivos nos anfiteatros. Alguns eram crucificados, outros cobertos corn pales de animais bravios a lançados à arena pare serem despedaçados pelos cães. De seu sofrimento muitas vezes se fazia a principal diversão nas festas públicas. Vastas multidões reuniam-se pare gozar do espetáculo a saudavam os transes de sue agonia com riso a aplauso.
     Onde guar qua procurassem refúgio, os seguidores de Cristo eram caçados como animais. Eram forçados a procurer esconderijo nos lugares desolados a solitários. "Desamparados, aflitos a maltratados (dos quaffs o mundo não era digno), errantes, pelos desertos, a montes, a pales coves a cavernas da terra." Hebreus 11:37 e 38. As catacumbas proporcionavam abrigo a milhares. Por sob as colinas, fore da cidade de Roma, longas galerias tinham sido feitas através da terra a da rocha; o escuro a complicado creme das comunicações estendia-se quilômetros além dos muros da cidade. Nestes retiros subterrâneos, os seguidores de Cristo sepultavam os seus rnortos; a ali também, quando suspeitos a proscritos, encontravam lar. Quando o Doador da vide despertar os qua pelejaram o bom combate, muitos qua foram mártires por amor de Cristo sairão dessas sombrias cavernas.
     Sob a mais atroz perseguição, estas testemunhas de Jesus conservararm incontaminada a sue fé. Posto qua privados de todo conforto, excluídos da luz do Sol, tendo o lar no seio da terra, obscuro mss amigo, não proferiam queixa alguma. Com palavras de fé, paciência a esperança, animavam-se uns aos outros a suportar a privação a angústia. A perda de toda a bênção terrestre não os poderia forçar a renunciar sua crença em Cristo. Provações a perseguição não eram senão passos que os levavam pare mais perto de seu descanso a recompense.
     Como aconteceu aos servos de Zeus de outrora, muitos "foram torturados, não aceitando o seu livramento, pare alcançarem urea melhor ressurreição." Hebreus 11:35. Estes se recordavarm das palavras do Mestre, de que, quando perseguidos por amor de Cristo, ficassem muito alegres, pois que grande seria seu galardão no Céu, porque assim tinham sido perseguidos os profetas antes deles. Regozijavam-se de que fossem considerados dignos de sofrer pela verdade, a cânticos de triunfo ascendiam dentre as chamas crepitantes. Pela fé, olhando pare circa, viam Cristo a os anjos apoiados sobre as ameias do Céu, contemplando-os com o mais profundo interesse, com aprovação considerando a sue firmeza. Uma voz lhes vinha do trono de Deus: "Sê fiel até à morte, a dar-teei a coroa da vide." Apocalipse 2:10.
     Baldados foram os esforços de Satanás pare destruir pela violência a igreja de Cristo. O grande conflito em que os discípulos de Jesus rendiam a vide, não cessava quando estes fiéis ports-estandartes tombavam errs sews postos. Com a derrota, venciam. Os obreiros de Zeus eram mortos, mss a Sua obra is avante com firmeza. O evangelho continuava a espalhar-se, e o número de seus aderentes a aumentar. Penetrou em regiões que eram inacessíveis, mesmo às águias romanas. Disse um cristão, contendendo com os governadores pagãos que estavam a impulsionar a perseguição: Podeis "mater-nos, torturarnos, condenar-nos . ... Vossa injustiça é prove de que somos inocentes . . . . Tampouco vossa crueldade . . . vos aproveitará." Não era senão um convite mais forte pare se levarem outros à mesma persuasão. "Quanto mais somos ceifados por vós, tanto mais crescemos em número; o sangue dos cristãos é semente." Apologia, de Tertuliano, parágrafo 50.
     Milhares eram aprisionados a mortos, mss outros surgiam pats ocupar as vagas. E os que eram martirizados pot sua fé tornavam-se aquisição de Crisco, pot Ele tidos na coma de vencedores. Haviam pelejado o bom combate, a deveriam receber a coroa de glória quando Cristo viesse. Os sofrimentos que suportavam, levavam os cristãos mais perto uns dos outros a de seu Redentor. Seu exemplo em vida, a seu testemunho ao morrerem, eram constante atestado à verdade; e, onde menos se esperava, os súditos de Satanás estavam deixando o seu serviço e alistando-se sob a bandeira de Cristo.
     Satanás, portanto, formulou seus pianos pats guerrear com mais êxito contra o governo de Deus, hasteando sua bandeira na igreja cristã. Se os seguidores de Cristo pudessem set enganados a levados a desagradar a Deus, falhariam então sua força, poder a firmeza, a eles cairiam como press fácil.
     O grande adversário se esforçou então pot obter pelo artifício aquilo que não lograra alcançar pela força. Cessou a perseguição, a em seu lugar foi posts a perigosa sedução da prosperidade temporal a honra mundana. Levavam-se idólatras a receber pane da fé cristã, enquanto rejeitavam outras verdades essenciais. Professavam aceitar a Jesus como o Filho de Deus e crer em Sua morte a ressurreição; mss não tinham a convicção do pecado a não sentiam necessidade de arrependimento ou de uma mudança de coração. Com algumas concessôes de sua parte, propuseram que os cristãos fizessem outras também, pats que todos pudessem unit-se sob a plataforma da crença em Cristo.
     A igreja naquele tempo encontrava-se em terrível perigo. Prisão, tortura, fogo a espada eram bênçãos em comparação coin isto. Alguns dos cristãos permaneceram firmes, declarando que não transigiriam. Outros eram favoráveis a que cedessem, ou modificassem alguns característicos de sua fé, a se unissem aos que haviam aceito pane do cristianismo, insistindo em que este poderia set o meio pats a completa conversão. Foi' um tempo de profunda angústia pats os fiéis seguidores de Crisco. Sob a caps de pretenso cristianismo, Satanás se estava insinuando na igreja a fire de corromper-lhe a fé a desviar-lhe a mente da Palavra da verdade.
     A maioria dos cristãos finalmente consentiu em baixar a norma, formando-se uma união entre o cristianismo e o paganismo. Posto que os adoradores de ídolos professassem ester convertidos a unidos à igreja, apegavam-se ainda à idolatria, mudando apenas os objetos de culto pelas imagens de Jesus, e mesmo de Maria a dos santos. O fermento vil da idolatria, assim trazido pare a igreja, continuou a obra funesta. Doutrinas errôneas, ritos supersticiosos a cerimônias idolátricas foram incorporados em sue fé a culto. Unindo-se os seguidores de Cristo aos idólatras, a religião cristã se tornou corrupts e a igreja perdeu sue pureza a poder. Alguns houve, entretanto, que não foram transviados por esses enganos. Mantinham-se ainda fiéis ao Autor da verdade, a adoravam a Deus somente.
     Sempre tem havido dues classes entre os que professam ser seguidores de Cristo. Enquanto uma dessas classes estuda a villa do Salvador a fervorosamente procure corrigir seus defeitos a conformer-se com o Modelo, a outra evita as claras a práticas verdades que lhes expôem os erros. Mesmo em sue melhor condição a igreja não se compôs unicamente dos verdadeiros, puros a sinceros. Nosso Salvador ensinou que os que voluntariamente condescendem com o pecado não devem ser recebidos na igreja; todavia ligou a Si homens que eram falhos de caráter a concedeu-lhes os benefícios de Seus ensinos a exemplos, pare que tivessem oportunidade de ver seus error a corrigi-los. Entre os doze apóstolos havia um traidor. Judas foi aceito, não por cause de seus defeitos de caráter mss apesar deles. Foi ligado aos discípulos pare qua, pale instrução a exemplo de Cristo, pudesse aprender o qua constitui o caráter cristão a assim ser levado a ver seus error, pare arrepender-se e, pelo auxílio da graça diving, purificar a alma "na obediência à verdade." Mas Judas não andou na luz qua tão misericordiosamente foi permitido brilhasse sobre ale. Pela condescendência corn o pecado, atraiu as tentações de Satanás. Seus maus traços de caráter se tornaram predominantes. Rendeu a manta à direção dos poderes das trevas, irava-se quando sues faltas eram reprovadas, sendo fiesta: to levado a cometer o terrível crime de train o Mestre. Assim todos os que acariciam o maI sob profissão de piedade, odeiam os que lhes perturbam a paz condenando seu caminho de pecado. Quando se apresenta oportunidade favorável, eles, semelhantes a Judas, traem aos que pare seu bem procuram reprová-los.
     Os apóstolos encontraram na igreja os que professavam piedade, ao mesmo tempo em que secretamente acariciavam a iniqüidade. Ananias a Safira desempenharam o papel de enganadores pretendendo fazer sacrifício total a Deus, quando cobiçosamente estavam retendo uma parse pare si. O Espírito da verdade revelou aos apóstolos o caráter real desses impostores, e os juízos de Deus livraram a igreja dessa detestável mancha em sue pureza. Esta assinalada evidência do discernidor Espírito de Cristo na igreja foi um terror pare os hipócritas a malfeitores. Não mais poderiam permanecer em ligação com aqueles que eram, em hábitos a disposição, invariáveis representantes de Cristo; e, quando as provações a perseguiçôes sobrevieram a Seus seguidores, apenas os que estavam dipostos a abandonar tudo por amor à verdade desejaram tornar-se Seus discípulos. Assim, enquanto durou a perseguição, a igreja permaneceu comparativamente pure. Mas, cessando aquela, acrescentaram-se conversos que eram menos sinceros a devotados, a abriu-se o caminho pare Satanás tomar pé.
     Não há, porém, união entre o Principe da luz e o príncipe das trevas, a nenhuma conivência poderá haven entre os seus seguidores. Quando os cristãos consentiram em unir-se àqueles que não eram senão semiconversos do paganismo, enveredaram por caminho que levaria mais a mais longe da verdade. Satanás exultou em haven conseguido enganar tão grande número dos seguidores de Cristo. Levou então seu poder a agir de modo mais completo sobre eles, a os inspirou a perseguir aqueles que permaneceram fiéis a Deus. Ninguém compreendeu tão bem como se opor à verdadeira fé cristã como os que haviam sido seus defensores; a estes cristãos apóstatas, unindo-se aos companheiros semipagãos, dirigiram seus ataques contra os característicos mais importantes das doutrinas de Cristo.
     Foi necessária urns Iota desesperada por pane daqueles que desejavam ser fiéis, permanecendo firmer contra os enganos e abominações que se disfarçavam sob as vestes sacerdotais a se introduziram na igreja. A Escritura Sagrada não era aceita como a norms de fé. A doutrina da liberdade religiosa era chamada heresia, sendo odiados a proscritos seus mantenedores.
     Depois de longo a tenaz conflito, os poucos fiéis decidiramse a dissolver toda a união tom a igreja apóstata, taro ela ainda recusasse libertar-se da falsidade a idolatria. Viram que a separação era uma necessidade absolute se desejavam obedecer à Palavra de Deus. Não ousavam tolerar erros fatais a sue própria alma, a dar exemplo que pusesse em perigo a fé de seus filhos a netos. Pare assegurar a paz e a unidade, estavam prontos a fazer qualquer concessão coerente tom a fidelidade pare corn Deus: mss acharam que rnesmo a paz seria comprada demasiado taro tom sacrifício dos princípios. Se a unidade só se pudesse conseguir comprometendo a verdade e a justiça, seria preferível que prevalecessem as diferenças a as conseqüentes lutes.
     Born retie à igreja a ao mundo se os princípios que atuavam naquelas almas inabaláveis revivessem no coração do professo povo de Deus. Há alarmante indiferença em relação às doutrinas que são as colunas da fé cristã. Ganha terreno a opinião de que, em última análise, não são de importância vital. Esta degenerescência está fortalecendo as mãos dos agentes de Satanás, de modo que falser teorias a enganos fatais, que os fiéis dos séculos passados expunham a combatiam tom riscos da própria vide, são hoje considerados tom favor pot milhares que pretendem set seguidores de Cristo.
     Os primitivos cristãos eram na verdade um povo peculiar. Sua conduta irrepreensível a fé invariável eram continua reprovação a perturbar a paz dos pecadores. Se bem que poucos, sem riqueza, posição ou títulos honoríficos, constituíam um terror pare os malfeitores onde quer que seu caráter a doutrina fossem conhecidos. Eram, portanto, odiados pelos ímpios, assim como Abel o foi pelo ímpio Caim. Pela mesma razão pot que Caim matou Abel, os que procuravam repelir a restrição do Espírito Santo mataram o povo de Deus. Pelo mesmo motivo foi que os judeus rejeitaram a crucificaram o Salvador: porque a pureza a santidade de Seu caráter eram repreensão constante ao egoísmo a corrupção deles. Desde os dies de Cristo até hoje, os fiéis discípulos têm suscitado ódio a oposição dos que amam e seguem os caminhos do pecado.
     Como, pois, pode o evangelho ser chamado mensagem de paz? Quando Isaías predisse o nascimento do Messias, conferiulhe o título de "Principe da Paz." Quando os anjos anunciaram aos pastores que Cristo nascera, cantaram sobre as planícies de Belém: "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade pare com os homens." S. Lucas 2:14. Há uma aparente contradição entre estas declarações proféticas a as palevras de Cristo: "Não vim trazer paz, mas espada." S. Mateus 10:34. Mas, entendidas corretamente, ambas estão em perfeita harmonic. O evangelho é uma mensagem de paz. O cristianismo é um sistema religioso que, recebido a obedecido, espalharia paz, harmonic a felicidade por toda a Terra. A religião de Cristo ligará em íntima fraternidade todos os que the aceitarem os ensinos. Foi missão de Jesus reconciliar os homens com Deus, e assim uns com os outros. Mas o mundo em grande parte se achy sob o domínio de Satanás, o acérrimo adversário de Cristo. O evangelho apresenta-lhes princípios de vide que se acham totalmente em desacordo com seus hábitos a desejos, a eles se erguem em rebelião contra ele. Odeiam a pureza que lhes revela a condena os pecados, a perseguem a destroem os que com eles insistirem em sues justas a santas reivindicações. É neste sentido que o evangelho é chamado uma espada, visto que as elevadas verdades que traz ocasionam o ódio e a contenda.
     A misteriosa providência que permite sofrerem os justos perseguição às mãos dos ímpios, tem sido cause de grande perplexidade a muitos que são fracos na fé. Alguns se dispõem mesmo a lançar de si a confiança em Deus, por permitir Ele que os mais vis dos homens prosperem, enquanto os melhores e mais puros são afligidos a atormentados pelo cruel poder daqueles. Como, pergunta-se, pode Aquele que é justo a misericordioso, a que também é de poder infinito, tolerar tal injustiça a opressão? É esta uma questão com que nada temos que ver. Zeus deu suficientes evidências de Seu amor, a não devemos duvidar de Sua bondade por não podermos compreender a operação de Sua providência. Disse o Salvador a Seus discípulos, prevendo as dúvidas que lhes oprimiriam a alma nos digs de provação a trevas: "Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós." S. João 15:20. Jesus sofreu por nós mais do que qualquer de Seus seguidores poderá sofrer pale crueldade de homens ímpios. Os qua são chamados a suportar a torture e o martírio não estão senão seguindo as pegadas do dileto Filho de Deus.
     "O Senhor não retards a Sua promessa." 2 S. Pedro 3:9. Ele não Se esquece de Seus filhos, nem os negligencia; mss permite qua os ímpios revelem seu verdadeiro caráter, pare qua ninguém qua deseje fazer a Sua vontade posse ser iludido com relação a ales. Outrossim, os justos são postos na fornalha da aflição pare qua ales próprios possam ser purificados, pare qua seu exemplo posse convencer a outros da realidade da fé a piedade, a também pare qua sue coerente conduta posse condenar os ímpios a incrédulos.
     Zeus permite qua os ímpios prosperem a revelem inimizade pare com Ele, a fim de qua, quando encherem a medida de sue iniqüidade, todos possam, em sue complete destruição, ver a justiça a misericórdia divines. Apressa-se o die de Sua vingança, no qual todos os qua transgrediram a lei divine a oprimiram o povo de Zeus receberão a juste recompense de sues ações; em qua todo ato de crueldade a injustiça pare com os fiéis será punido como se Posse feito ao próprio Cristo.
     Há outra questão mail importante qua deveria ocupar a atenção das igrejas de hoje. O apóstolo S. Paulo declare qua "todos os qua piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguiçòes." 2 Timóteo 3:12. Por qua é, pois, qua a perseguição, em grande parse, parece adormentada? A única razão é qua a igreja se conformou com a norms do mundo, a portanto não suscita oposição. A religião qua em nosso tempo prevalece não é do caráter puro a santo qua assinalou a fé cristã nos dias de Cristo a Seus apóstolos. É unicamente por cause do espíruo de transigência corn o pecado, por serem as grandes verdades. da Palavra de Deus tão indiferentemente consideradas, por haver tão pouca piedade vital na igreja, que o cristianismo é aparentemente tão popular no mundo. Haja um reavivamento da fé a poder da igreja primitive, e o espíruo de opressão reviverá, reacendendo-se as fogueiras da perseguição.


 
CAPÍTULO 3

Como Começaram as Trevas Morais

     O apóstolo S. Paulo, em sua segunda carts aos tessalonicenses, predisse a grande apostasia que teria como resultado o estabelecimento do poder papal. Declarou que o dia de Cristo não viria "sem que antes venha a apostasia, a se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição; o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Zeus, ou se adora; de some que se assentará, como Zeus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." 2 Tessalonicenses 2:3 a 4. E, ainda mais, o apóstolo adverte os irmãos de que " já o mistério da injustiça opera." 2 Tessalonicenses 2:7. Mesmo naqueles primeiros tempos viu ele, insinuando-se na igreja, erros que preparariam o caminho para o desenvolvimento do papado.
     Pouco a pouco, a princípio furtiva a silenciosamente, a depois mais ás claras, à medida em que crescia em força a conquistava o domínio da mente dos homens, o mistério da iniqüidade levou avante sua obra de engano a blasfêmia. Quase imperceptivelmente os costumes do paganismo tiveram ingresso na igreja cristã. O espírito de transigência a conformidade fora restringido durance algum tempo pelas terríveis perseguições que a igreja suportou sob o paganismo. Mss, errs cessando a perseguição a entrando o cristianismo nas comes a palácios dos refs, pôs ela de lado a humilde simplicidade de Cristo a Seus apóstolos, em troca da pompa a orgulho dos sacerdotes a governadores pagãos; a em lugar das ordenanças de Zeus colocou teorias e tradições humanas. A conversão nominal de Constantino, na primeira pane do século quarto, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na igreja. Progredia rapidamente a obra de corrupção. O paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Seu espíruo dominava a igreja. Suas doutrinas, cerimônias a superstições incorporaram-se à fé a culto dos professos seguidores de Cristo.
     Esta mútua transigência entre o paganismo e o cristianismo resultou no desenvolvimento do "homem do pecado," predito na profecia como se opondo a Deus a exaltando-se sobre Ele. Aquele gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás - monumento de seus esforços para sentarse sobre o trono a governar a Terra segundo a sua vontade.
     Urns vez Satanás se esforçou por estabelecer um compromisso mútuo com Cristo. Chegando-se ao Filho de Deus no deserto da tentação, a mostrando lhe todos os reinos do mundo e a glória dos mesmos, ofereceu-se a entregar tudo em Suas mãos se tão-somente reconhecesse a supremacia do príncipe das trevas. Cristo repreendeu o pretensioso tentador a obrigou-o a retirar-se. Mas Satanás obtém maior êxito em apresentar ao homem as mesmas tentações. Para conseguir proveitos a honras humanas, a igreja foi levada a buscar o favor a apoio dos grandes homens da Terra; e, havendo assim rejeitado a Cristo, foi induzida a prestar obediência ao representante de Satanás - o bispo de soma.
     Uma das principais doutrinas do romanismo é que o papa é a cabeça visível da igreja universal de Cristo, investido de autoridade suprema sobre os bispos a pastores em todas as partes do mundo. Mais do que isto, tern-se dado ao papa os próprios títulos da Divindade. Tem sido intitulado: "Senhor Deus, o Papa" (Ver Apêndice), a foi declarado infalível. Exige ele a homenagem de todos os homens. A mesma pretensão em que insistia Satanás no deserto da tentação, ele ainda a encarece mediante a igreja de Roma, a enorme número de pessoas estão prontas para render-the homenagem.
     Mas os que temem a reverenciam a Deus enfrentam esta audaciosa presunção do mesmo modo por qua Cristo enfrentou as solicitações do insidioso adversário: "Adorarás ao Senhor teu Deus, e a Ele somente servirás." S. Lucas 4:8. Deus jamais deu em Sua Palavra a minima sugestão de qua tivesse designado a algum homem pare ser a cabeça da igreja. A doutrina da supremacia papal opõe-se diretamente aos ensinos das Escrituras Sagradas. O papa não pode tar poder algum sobre a igreja de Cristo, senão por usurpação.
     Os romanistas têm persistido em acusar os protestantes de heresia a voluntária separação da verdadeira igreja. Semelhantes acusações, porém, aplicam-se antes a ales próprios. São ales os qua depuseram a bandeira de Cristo, a se afastaram da "fé qua urea vez foi dada aos santos". S. Judas 3.
     Satanás barn sabia qua as Escrituras Sagradas habilitariam os homens a discernir seus enganos a resistir a seu poder. Foi pale Palavra qua mesmo o Salvador do mundo resistiu a seus ataques. Em cads assalto Cristo apresentou o escudo da verdade eterna, dizendo: "Está escrito". A cads sugestão do adversário, opunha a sabedoria a poder da Palavra. A fim de Satanás manter o seu domínio sobre os homens a estabelecer a autoridade humane, deveria conservá-los na ignorância das Escrituras. A Bíblia exaltaria a Deus a colocaria o homem finito em sue verdadeira posição; portanto, suss sagradas verdades deveriam ser ocultadas a suprimidas. Esta lógica foi adotada pale Igreja de Rorna. Durante séculos a circulação da Escritura foi proibida. Ao povo era vedado lê-la ou tê-la em case, a sacerdotes a prelados sem escrúpulos interpretavam-lhe os ensinos de modo a favorecerem sues pretensões. Assim o chafe da igreja veio a ser quase universalmente reconhecido como o vigário de Deus na Terra, dotado de autoridade sobre a igreja e o Estado.
     Suprimido o revelador do erro, agiu Satanás, a seu bel-prazer. A profecia declarara qua o papado havia de cuidar "em mudar os tempos e a lei". Daniel 7:25. Pare cumprir esta obra não foi vagaroso. A fim de proporcionar aos conversos do paganismo uma-substituiçâo à adoração de ídolos, a promover assim sue aceitação nominal do cristianismo, foi gradualmente introduzida no culto cristão a adoração das imagens a relíquias. O decreto de um concílio geral (Ver Apêndice) estabeleceu, por fire, este sistema de idolatria. Pare completar a obra sacrílega, Rome pretendeu eliminar da lei de Deus, o segundo mandamento, que proíbe o culto das imagens, a dividir o décimo mandamento a fim de conservar o número deles.
     Este espírito de concessão ao paganismo abriu caminho pare desrespeito ainda maior da autoridade do Céu. Satanás, operando por meio de não consagrados dirigentes da igreja, intrometeu-se também com o quarto mandamento a tentou pôr de lado o amigo sábado, o die que Deus tinha abençoado a santificado (Gênesis 2:2 a 3), exaltando em seu lugar a festa observada pelos pagãos como "o venerável die do Sol." Esta mudança não foi a princípio tentada abertamente. Nos primeiros séculos o verdadeiro sábado foi guardado por todos os cristãos. Eram ester ciosos da honra de Deus, e, crendo que Sua lei é imutável, zelosamente preservavam a santidade de seus preceitos. Mas com grande argúcia, Satanás operava mediante sews agentes pare efetuar seu objetivo. Pare que a atenção do povo pudesse ser chamada pare o domingo, foi feito deste uma festividade em honra da ressurreiçào de Cristo. Atos religiosos eram nele realizados; era, porém, considerado como ,die de recreio, sendo o sábado ainda observado como die santificado.
     A fim de preparar o caminho pare a obra que intentava cumprir, Satanás induzira os judeus, antes do advento de Cristo, a sobrecarregarem o sábado com as mais rigorosas imposições, tornando sue observância um fardo. Agora, tirando vantagem da false luz sob a qual ele assim fizera com que fosse considerado, lançou o desdém sobre o sábado como instituição judaica. Enquanto os cristãos geralmente continuavam a observer o domingo como festividade prazenteira, ele os levou, a fim de mostrarem seu ódio ao judaísmo, a fazer do sábado die de jejum, de tristeza a pesar.
     Na primeira parte do século quarto, o imperador Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano (Ver Apêndice). O die do Sol era venerado por seus súditos pagãos a honrado pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em con
     flito do paganismo e cristianismo. Com ele se empenharam para fazer isto os bispos da igreja, os quais, inspirados pela ambição e sede do poder, perceberam que, se o mesmo dia fosse observado tanto por cristãos como pagãos, promoveria a aceitação nominal do cristianismo pelos pagãos, e assim adiantaria o poderio e glória da igreja. Mas, conquanto muitos cristãos tementes a Deus fossem gradualmente levados a considerar o domingo como possuindo certo grau de santidade, ainda mantinham o verdadeiro sábado como o dia santo do Senhor, e observavam-no em obediência ao quarto mandamento.
     O arquienganador não havia terminado a sua obra. Estava decidido a congregar o mundo cristão sob sua bandeira, e exercer o poder por intermédio de seu vigário, o orgulhoso pontífice que pretendia ser o representante de Cristo. Por meio de pagãos semiconversos, ambiciosos prelados e eclesiásticos amantes do mundo, realizou ele seu propósito. Celebravam-se de tempos em tempos vastos concílios aos quais do mundo todo concorriam os dignitários da igreja. Em quase todos os concílios o sábado que Deus havia instituído era rebaixado um pouco roais, enquanto o domingo era em idêntica proporção exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada corno instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se seus observadores.
     O grande apóstata conseguira exaltar-se "contra tudo o que se chama Deus, ou se adora." 2 Tessalonicenses 2:4. Ousara mudar o único preceito da lei divina que inequivocamente indica a toda a humanidade o Deus verdadeiro e vivo. No quarto mandamento Deus é revelado como o Criador do céu e da Terra, e por isso Se distingue de todos os falsos deuses. Foi para memória da obra da criação que o sétimo dia foi santificado como dia de repouso para o homem. Destinava-se a conservar o Deus vivo sempre diante da mente humana como a fonte de todo ser e objeto de reverência e culto. Satanás esforça-se por desviar os homens de sua aliança para com Deus e de prestarem obediência à Sua lei; dirige seus esforços, portanto, especialmente contra o mandamento que aponta a Deus como o Criador.
     Os protestantes hoje insistem em que a ressurreição de Cristo no domingo fê-lo o sábado cristão. Não existe, porém, evidência escriturística para isto. Nenhuma honra semelhante foi conferida ao dia por Cristo ou Seus apóstolos. A observância do domingo como instituição cristã teve origem no "mistério da injustiça" (2 Tessalonicenses 2:7) que, já no tempo de S. Paulo, começara a sua obra. Onde e quando adotou o Senhor este filho do papado? Que razão poderosa se poderá dar para uma mudança que as Escrituras não sancionam?
     No século sexto tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. (Ver Apêndice.) O paganismo cedera lugar ao papado. O dragão dera à besta "o seu poder, e o seu trono, e grande poderio." Apocalipse 13:2. E começaram então os 1260 anos da opressão papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse. (Daniel 7:25; Apocalipse 13:5-7.) Os cristãos foram obrigados a optar entre renunciar sua integridade e aceitar as cerimônias e culto papais, ou passar a vida nas masmorras, sofrer a morte pelo instrumento de tortura, pela fogueira, ou p